Notícias

Professor e militante do MNU-SE, Lúcio Dias assume coordenação do NEABI do IFS para o biênio 2026-2028

Educador e pesquisador destaca compromisso com a educação antirracista, as ações afirmativas e a construção coletiva de políticas de equidade étnico-racial no Instituto Federal de Sergipe
  • Categoria: Sergipe
  • Publicação: 02/10/2026 08:38
Professor e militante do MNU-SE, Lúcio Dias assume coordenação do NEABI do IFS para o biênio 2026-2028
O Professor Doutor Lúcio Dias das Neves, integrante da coordenação do Movimento Negro Unificado de Sergipe (MNU-SE), assume a Coordenação do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) da Reitoria do Instituto Federal de Sergipe (IFS) para o interstício 2026-2028.
A nova responsabilidade representa mais um espaço de atuação para o professor, pesquisador e militante que tem construído sua trajetória a partir da educação, da comunicação, da defesa dos direitos humanos e da promoção da igualdade racial.
Lúcio Dias afirma que recebe a função com honra e senso de responsabilidade, especialmente por ter seu nome aclamado pelos integrantes do coletivo.
“Compreendo o NEABI como uma construção coletiva, histórica e permanente, que precisa estar cada vez mais presente na vida institucional”, afirma.
Para o novo coordenador, um dos principais desafios será fortalecer as políticas de educação antirracista e ações afirmativas, articulando ensino, pesquisa, extensão e inovação. A proposta também envolve contribuir para o acesso, a permanência e o êxito dos estudantes.
A atuação pretende alcançar diferentes grupos historicamente invisibilizados ou sub-representados nos espaços educacionais, entre eles estudantes negros e negras, pardos, indígenas, quilombolas, povos de terreiro, comunidades ciganas, marisqueiras e demais povos e comunidades tradicionais.
“Queremos que estudantes negros e negras, pardos, indígenas, quilombolas, povos de terreiro, comunidades ciganas, marisqueiras e demais povos e comunidades tradicionais possam se reconhecer, participar e ocupar efetivamente os espaços do IFS”, destaca Lúcio.

Educação antirracista como política institucional
O professor também ressalta que o trabalho do NEABI precisa ultrapassar ações pontuais e contribuir para a transformação das práticas institucionais.
Nesse sentido, a gestão pretende atuar para que a diversidade étnico-racial esteja presente nos currículos, projetos, políticas de permanência estudantil e espaços de decisão.
A proposta dialoga com marcos legais importantes da educação brasileira, como as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que estabeleceram a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena.
O desafio, segundo Lúcio, é transformar esses princípios legais em políticas e ações concretas dentro da instituição.
Uma construção coletiva
Ao falar sobre a nova etapa, Lúcio Dias faz questão de afastar a ideia de uma gestão individual.
Segundo ele, o trabalho será desenvolvido em diálogo com os NEABIs dos campi, estudantes, servidores, gestores, movimentos sociais, povos e comunidades tradicionais e sociedade civil.
“Esta não será uma gestão individual. Será uma construção coletiva”, afirma.
A perspectiva apresentada pelo novo coordenador também se aproxima da atuação que vem sendo desenvolvida pelo IFS na área das relações étnico-raciais. Em agosto deste ano, a instituição anunciou, por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Extensão e do NEABI, um curso gratuito de aperfeiçoamento em Educação e Gestão para as Relações Étnico-Raciais e Quilombolas, com 500 vagas distribuídas entre diferentes campi e polos, incluindo Lagarto.
A trajetória recente de Lúcio também inclui sua atuação no Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR) de Nossa Senhora do Socorro. Resolução publicada em junho de 2026 oficializou sua nomeação como presidente do colegiado para o biênio 2026-2028.
Para o professor, a nova missão é dar continuidade às lutas históricas construídas por diferentes gerações e contribuir para que a equidade étnico-racial e a educação antirracista sejam práticas permanentes no Instituto Federal de Sergipe.
“Nosso propósito é contribuir para que a equidade étnico-racial e a educação antirracista sejam cada vez mais práticas permanentes em todo o Instituto Federal de Sergipe.”